Estou de volta para falar mais um pouco de Guaratinguetá (minha cidade natal) e região.

Sempre que eu estou chegando em casa passo por uns mini-obeliscos no centro de rotatórias ou na beira das vias.
Estes mini-postes tem a função de sinalizar “Por aqui passa a estrada real”.

Faz um tempo que esta marcação foi colocada, e me diverdi na época por descobrir que hoje eu moro a uns 50 metros de onde antigamente passavam ouro e diamantes guardados nos bolços das roupas do bandeirantes. Infelizmente eles não deixaram cair nada pelo caminho, ou se deixaram, já foi achado (óbvio).

De qualquer forma, trago para vocês a história desse caminho aberto para extração das riquesas do nosso país e de quebra faço uma sugestão de viagem cultural.

Segundo os registros, a Estrada Real foi criada pela Coroa portuguesa no século XVII com a finalidade de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro, este que na época era capital da colônia.

Com o fim desse ciclo econômico e com a industrialização, A Estrada Real ficou por muito tempo adormecida, o que ajudou na sua conservação e possibilitou hoje o surgimento de vários projetos de recuperação para explorar seu potencial turístico. O caminho é repleto de atrativos para uma longa viagem: construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventura, estações de águas minerais, culinária mineira e, principalmente, nossa história.

A Estrada Real se divide em 3 partes: Caminho Velho que liga Parati a Ouro Preto, Caminho Novo que liga o Rio de Janeiro a Ouro Preto e Rota dos Diamantes que liga Ouro Preto a Diamantina. No total a estrada se estende por 1.200 km e passa por inúmeras vilas, povoados e cidades. Para falar mais exatamente são 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo.

O Caminho Velho é o trecho mais antigo de todo o trajeto e corta os estados RJ, SP e MG. Ele, como dito, ligando Paraty a Ouro Preto. Foi aberto por volta do século XVII, fruto das andanças dos bandeirantes que buscavam riquezas em Minas Gerais. ( Este é o trecho que passa pela minha casa.)

Partindo de Paraty, a estrada velha corta o norte de São Paulo passando pelas cidades de Cunha, Guaratinguetá e Cruzeiro. Em Minas Gerais, a estrada continua por Passa Quatro, Itamonte e Baependi, Caxambu, São Lourenço e Cambuquira, São Tomé das Letras, Três Corações, São João Del Rei, Congonhas e Tiradentes, para depois completar o Caminho Velho indo até Ouro Branco e Ouro Preto.  Este é o caminho velho!

O caminho foi usado por todo tipo de gente da época: imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, que além de produtos, carregavam ideais, como o de se transformar o Brasil em uma república independente. Os registros históricos contam que partes do corpo de Tiradentes foram expostas em pontos estratégicos da Estrada após seu esquartejamento, afinal, a intensão era que ele servisse de lição, e nada melhor do que expor o que antes era um corpo completo no único caminho que a Coroa permitia ser usado.

Voltando a falar das 3 partes que formam a Estrada, o “caminho novo” foi aberto pela  necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também foi resultado da imposição da Coroa. Com o novo caminho, a rota de Paraty, a partir do século XVIII, passou a ser o “caminho velho”.

A terceira parte surgiu com a descoberta de pedras preciosas na região do Serro, as estradas que se encontravam em Ouro Preto se uniram e o terceiro caminho se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.

Como você pode ver, é uma super dica de passeio turístico para quem procura história, arte e natureza. Conheço e recomento Paraty, Cunha, Del Rei e Ouro Preto. Tenho prazer em dizer que conheci as obras de Alejadinho!!!

E quando passarem por Guaratinguetá, não se esqueçam que a cidade é berço do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão. A casa dele é bem legal de conhecer!

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  5. Seu carro enguiçou no carnaval no meio da estrada?

5 Responses to “A Realeza da hístoria, da cultura e da arte da Estrada Real.”

  1. Muito bem feito o seu blog! Está de parabéns! Se precisar de algo, conte conosco.
    Edvanderson R. Silva
    http://www.litoralcostaverde.com

  2. Obrigada Edvanderson. :)
    Fico MUITO feliz pelo elogio e mais feliz ainda pela ajuda! Pode deixar que qualquer coisa eu corro até você.

    Bjos. Luana Mita.

  3. Que legal! Descobri o que sinaliza aquele mini poste que tem aqui na minha cidade…
    Moro as margens do caminho novo. Conheço parte desse caminho.
    Através da Guia de Pacobaiba:
    1ª ferrovia do Brasil – até raiz da serra de Petrópolis.
    Moro em Magé. Parabéns pelo seu Blog! Quero fazer o passeio do caminho novo até Diamantina. Um abraço!

  4. Olá Osman,

    Muito obrigado por sua visita. Se tiver alguma novidade para nos enviar, teremos o máximo prazer em publicar!

    Abraço

    Claudir

  5. legal

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