Agrishow agora quer congregar todo o agronegócio
Após crise que quase decretou seu fim, evento negocia para ter empresas dos setores de fertilizantes, defensivos e sementes. A Agrishow, feira da área de maquinário agrícola que é considerada uma das três maiores do mundo no gênero, planeja integrar outros setores do agronegócio em suas edições futuras. A organização do evento acredita que a fixação da feira em Ribeirão Preto facilitará a atração de expositores, investidores e visitantes já a partir de 2011.
A estratégia pode fazer o evento ter novamente representantes de outros setores. Empresas da área de fertilizantes e de defensivos agrícolas, que negociam sua participação na feira nas próximas edições, já foram expositoras da Agrishow, mas se retiraram. Indústrias da área de sementes também estão na mira dos organizadores. A ideia é que a feira tenha maior abrangência sobre o agronegócio, os organizadores querem representantes do setor de carne bovina, suína e avicultura. A atração desses setores é importante por causa do aumento da participação deles no agronegócio, principalmente a consolidação de uma pauta exportadora, o Brasil é o maior exportador do mundo de avicultura e terceiro maior exportador de suína. Agora com esta guerra do algodão, logo os americanos vão abrir seus mercados para a carne suína brasileira.
A consolidação da feira em Ribeirão Preto terá um efeito prático positivo para os negócios. Já foi assinado um protocolo de intenções para que o evento seja realizado na cidade pelos próximos 30 anos, sempre na fazenda experimental de propriedade da secretaria estadual da Agricultura.
Período cambaleante:
A Agrishow vinha cambaleando, era feita na base do improviso, o sinal de alerta foi aceso quando se cogitou a possibilidade de transferência do evento para a cidade de São Carlos. Atração de novos expositores impediu a repetição do ocorrido em 2009, quando as montadoras ficaram de fora da feira alegando necessidade de contenção de custos. A Anfavea (associação das montadoras) sinaliza que a partir de 2011 a participação de alguns dos associados, como os fabricantes de tratores, poderia passar a ser feita ano sim e outro não. A entidade diz que o custo alto (hotel, alimentação, transporte) e a dificuldade em oferecer lançamentos anuais impediriam a participação consecutiva de todos os fabricantes. A Agrishow negocia com a Anfavea a manutenção dos expositores e acredita que o esvaziamento de 2009 se deve a fatores sazonais.
O setor de aviação também marcou presença na Agrishow.
Uma das novidades da Agrishow para facilitar a visitação é a regionalização de alguns setores, cujos estandes estão em locais próximos. A aviação agrícola é um deles e os expositores apresentam diversas inovações em tecnologia e versatilidade.
Direcionado à pulverização, a Embraer trouxe para a feira o Ipanema 202A, movido a etanol, uma aeronave movida não só à gasolina, mas também a etanol tem o custo operacional muito baixo e apresenta um desempenho otimizado do motor. “Além de vários benefícios financeiros temos também a redução do impacto ambiental, que é quase zero”, afirma o gerente comercial da empresa, Fábio Carretto. Ele informa que 50% das vendas realizadas são para a região Centro-Oeste, em razão da vasta extensão territorial e dos tipos de cultura.
Outro foco de aeronaves agrícolas são as da categoria executiva para transporte pessoal e médias cargas, das empresas TAM, Líder e Cirrus, que expõem na feira aviões focados para o transporte dos produtores de fazenda para fazenda.
Direcionado para agronegócio, a Líder, que retornou para a Agrishow após 10 anos, tem em seu portifólio cinco aeronaves com valores que podem chegar até U$ 1,5 milhão. No primeiro dia da feira, a Líder vendeu a aeronave Bonanza G36 no valor de U$ 730 mil. A TAM trouxe para a feira dois modelos de aeronaves executivas que operam em pistas curtas a partir de 600 metros, que custam entre R$ 425 mil e R$ 650 mil. A aeronave também de transporte executivo Cirrus SR22, que possui paraquedas balistico acoplado, é comercializada por aproximadamente R$ 1 milhão.
O último dia da Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, em Ribeirão Preto (SP), foi marcada pelo entusiasmo e o otimismo. Foram apresentados mais de 200 projetos acolhidos pelo Banco do Brasil para a contratação do Pronaf Mais Alimentos, totalizando um valor aproximado de R$ 20 milhões. Este é o volume de negócios fechados nos cinco dias de funcionamento da feira no espaço Feirão Mais Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Foi a primeira participação da Agricultura familiar com um espaço próprio na Agrishow, o que representou a materialização de um novo nicho de serviço. A área de 1.800 m² recebeu a visita do ministro do Desenvolvimebo Agrário, Guilherme Cassel, após a abertura oficial da feira. No espaço, estiveram expostos produtos financiados pelo Mais Alimentos, entre os quais tratores, veículos de carga leves, máquinas, implementos agrícolas e equipamentos de irrigação e armazenagem.
A 17ª Agrishow, trouxe números animadores, que veio estimulada pela estimativa de safra recorde de grãos: cento e quarenta e seis milhões de toneladas. Oito por cento mais que no ano passado.
A expectativa era alcançar o mesmo patamar de 2008, ano anterior á crise que registrou recorde, mas os números surpreenderam. No primeiro levantamento constatou-se que a frequência de público ultrapassou as 140 mil pessoas. O movimento nos negócios também foi maior que o esperado, superando os R$ 860 milhões e o montante ainda pode ser maior porque parte das vendas de equipamentos expostos é confirmada meses após o fim do evento.
Trezentos e sessenta mil metros quadrados. A área da Agrishow aumentou 50% para abrigar os setecentos e trinta expositores. Entre eles, as nove maiores indústrias de máquinas do país. A venda de máquinas no país, de janeiro a março, já cresceu quase trinta por cento em comparação aos três primeiros meses de dois mil e nove. As gigantes colhedoras de cana estão entre os destaques. Com a gradativa diminuição das queimadas, vão ser cada vez mais necessárias nos canaviais. A concorrência estimula a tecnologia.
A feira é dos grandes e também dos pequenos. A cada ano, empresas se preocupam mais em lançar máquinas e implementos direcionados para agricultura familiar. Afinal, ela é responsável por 70% dos alimentos que consumimos, de acordo com o ministério do desenvolvimento agrário.
O trator de oitenta cavalos é a aposta de uma das indústrias para atender, principalmente, os pequenos agricultores. Quatro por quatro, doze marchas, cem por cento sincronizado. Tecnologia em tamanho reduzido que pode ajudar a aumentar a produtividade. E para os que decidem fechar negócio aqui mesmo, a agência bancária está à disposição. Tem várias linhas de crédito disponíveis, inclusive para rendas menores. “O prazo dela são ate 10 anos, com três anos de carência, então isso para o agricultor é uma grande facilidade, pois o valor da taxa vai ser compatível com a atividade que ele desenvolve”, diz o gerente de mercado da agricultura familiar Joaquim Lauro Sando.
E é bom saber que o pequeno produtor de hoje pode ser o grande produtor de amanhã, a pequena propriedade de hoje pode ser a grande propriedade de amanhã. Então é importante que todos eles grandes ou pequenos produtores venham até a Agrishow para conhecer essa tecnologia.
Sobre a Feira
Para quem vive do agronegócio, nada como o som das máquinas e implementos agrícolas em ação. Isso é Agrishow. É puro agronegócio.
A Agrishow nasceu exatamente da necessidade de se ter uma feira dinâmica, onde o produtor pudesse comparar, na prática, como uma nova tecnologia pode alavancar sua produtividade. De 1993 pra cá, a feira cresceu e vem se aperfeiçoando a cada ano, mas sem perder o foco: o agronegócio. Se este também é o seu foco, não perca a próxima Agrishow, seja você um pequeno, médio ou grande produtor, tudo o que precisa para colher produtividade, estará lá!
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